"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada."
(Clarice Lispector)

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Momento Inusitado


Existiu um momento
em que apenas um fiapo
separava minha leveza de um grande peso
e eu estava a balançar com a força do vento
então um fotografo atento, me fez perceber a sombra de mim mesmo numa parede de infinita distÂncia, mas o preço disso foi permanecer num quadro limitado.(TalitaCassanelli)

domingo, 8 de agosto de 2010

Eu choro simplesmente ...e de repende sorrio


Eu choro porque alguém está aqui mas, não quer me ver...
Eu choro porque alguém se foi e talvez eu nunca mais veja...
Eu choro, porque tem alguém lá `a me esperar, e eu ignoro...
Eu choro porque tem alguém por aí ocupado de mais para estar aqui perto de mim...
Eu choro porque talvez eu tenha me perdido de mim mesma...
Eu choro porque já estou perdendo a esperança de me encontrar...
Eu choro porque tenho a certeza de que quem eu realmente quero, nunca irá me encontrar, porque aqui não mais estarei, pois chorar já não mais adianta, esperar já não mais adianta , ignorar , também já não adianta, gritar, correr, me esconder, procurar , esperar, já não basta...por isso escrevo, mesmo que as lágrimas me atrapalhem ...vou me banhar desesperadamente de sofrimentos para talvez me sentir mais humana e frágil...talvez eu derreta depois de tanta dor e escorra por um ralo de tubulação infinita até chegar ao etc e tal da minha consciência, se é que isso tem alguma coerência.
E por fim sorrio pelo fato de ainda poder questionar, ainda bem que existem pontos de interrogação, só de vírgulas e reticências eu me afogaria.(Talita Cassanelli)

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Wassily Kandinsky

...acredito na mudança de rumo dos ventos...

...nas curvas, retas e zig-zags dos meus pensamentos...(no √ôo)


(Talita Cassanelli)

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O Emparedado




"Mas, que importa tudo isso?!
Qual é a cor da minha forma, do meu sentir?
Qual é cor da tempestade de dilacerações que me abala?
Qual a dos meus sonhos e gritos?
Qual a dos meus desejos e febre?
Artista?! Loucura! Pode isso ser se tu vens da longíqua região desolada,
lá do fundo exótica dessa terra sugestiva , gemente!
Não! Não! Não! Não transporás os pórticos milenários da vasta edificação do mundo,
porque atrás de ti e diante de ti não sei quantas gerações foram acumulando,
acumulando pedra sobre pedra, pedra sobre pedra, aí estás agora
o verdadeiro emparedamento de uma raça.
Se caminhares para a direita baterás e esbarrarás ansioso, aflito,
numa parede horrendamente incomensurável de Egoísmos e Preconceitos!
Se caminhares para esquerda, outra parede, de Ciências e Críticas,
mais alta que a primeira, te mergulhará profundamente num espanto!
Se caminhares para frente, ainda nova parede, feita de Despeitos e Impotências,
tremenda, de granito, broncamente se elevará ao alto!
Se caminhares, enfim, para trás, ah! ainda, uma derradeira parede,
fechando tudo, fechando tudo horrível! -parede de Imbecilidade e Ignorância,
te deixará num frio espasmo de terror absoluto...
E mais pedras, mais pedras se sobreporão `as pedras já acumuladas,
mais pedras, mais pedras... Pedras dessas odiosas, caricatas fatigantes
Civilizações e Sociedades... Mais pedras, mais pedras!
E as estranhas paredes hão de subir -longas, negras, terríficas!
Hão de subir, subir, subir, subir, mudas, silênciosas, até `as Estrelas,
deixando-te para sempre perdidamente alucinado e emparedado
dentro do teu próprio sonho ..."
(Cruz e Souza)

terça-feira, 8 de setembro de 2009

...



Escadas


ALTas e Baixas


E que altura!


E que profundeza!






Subi e desci várias escadas...várias vezes!


Muitas vezes chegando no último degrau

caí tonta, desequilibrando


Já fui empurrada escada abaixo também

Batendo a cabeça degrau por degrau

me machucando toda

Já empurrei alguém

que se machucou também


Já escorreguei por acidente

Já desci carregada no colo inconsciente

e acordei lá embaixo novamente


Escadas feias, velhas, quebradas...

De madeira, de metal, de concreto...

Imensas que me deixaram sem fôlego!


Do tipo caracol, simples, retas, portáteis...

As que tem intervalos no meio

mas essas são as de emergência!


Já desci escorregando pelo corrimão


E agora exatamente estou rastejando

para subir pelo menos um degrauzinho

para não me afogar numa enchente...

E ainda na expectativa

de depois que a água abaixar

poder descer novamente


Mas tenho a impresão

de que ela vai subir, isso sim!


Já me estenderam a mão

Já me jogaram uma corda

Até um bote e um helicóptero

pra me resgatar


Desconfiei de todos

e me senti mais segura acuada aqui

nesse mesmo lugar


Não que eu achasse que pudesse subir sozinha

mas porque já basta de subir , descer, cair , ser empurrada ou empurrar...


Todas as vezes que consegui subir até o fim

de alguma forma tive que descer denovo

por algum motivo que ainda não reconheço


Subir e descer e ainda questionar o porque?


subi uma escada linda uma vez

e acompanhada


E caí denovo!


Subi uma escada horrível

Com alguém muito lento

e com alguém muito rápido


Agora a minha única certeza

é que vou ficar parada aqui

nesse mesmo degrau

mas ainda não é tão ruim..


Posso dividir esse degrau

com alguém que queira ficar parado aqui também


Não sei se posso ou se devo ficar

não é minha a escada , nem meu o degrau


Mas, daqui eu não saio

Daqui ninguém me tira!


Não vou subir e cair denovo

Nem vou me afogar de propósito

Não que eu já não tenha tentado!


Talvez eu tente nadar contra a correnteza

quem sabe eu não chego em outra escada

mas não agora!


Talvez eu espere uma companhia

para tentarmos subir juntos

e cairmos juntos

ou jogarmos um ao outro lá embaixo


Teve uma vez que eu estava lá em cima

e zombei de alguém que estava lá embaixo

Teve uma vez que eu estava lá embaixo

e alguém lá de cima zombou de mim


Teve uma vez que fiz alguém descer

para subirmos juntos

Mas não consegui!


Talvez eu suba só mais esse próximo degrau

pra ter mais tempo de decidir

se subo ou fico e me afogo


Talvez a água suba tanto

me impulsionando a subir

mas mesmo assim

todos os degraus

não sejam o suficiente


Se eu pudesse,

não que eu não quizesse


Estaria numa cama conforvável

acompanhada por alguém

abraçadinhos...

dormindo ao mesmo tempo

e até unidos no mesmo sonho...


Não vou obrigar ninguém a subir

nem descer mais...

mas também não vão me obrigar a subir

e nem a descer também!


Talvez altura!


Talvez profundeza!


Talvez solidão!


Talvez tristeza!


Talvez só correnteza!


Permaneço no mesmo degrau

e a correnteza é forte

e já beira esse degrau


Acho que talvez

eu deva simplesmente deixá-la me levar...


Talvez eu ainda encontre alguém lá no fundo...


Nos beijaremos...


Não seremos nem rápidos, nem lentos…


(Talita Cassanelli)